Plano de classificação

General Jacinto ParreiraData de Produção Inicial:1865Data de Produção Final:1915Nível de Descrição:FundoNome do Produtor e História Administrativa/Biográfica:Nome do Produtor: Parreira e Brito, Jacinto da CunhaHistória Administrativa: Jacinto da Cunha Parreira e Brito, filho de D. Mariana da Cunha Parreira e de José Maria Parreira e Brito, Tenente do Batalhão Móvel de Loulé, posteriormente Tenente de Milícias de Lagos, nasceu em 1843-02-05, em Lagoa (Vila Nova de Portimão), no distrito de Faro. No período de 1865 a 1871 frequentou o Curso Preparatório para ingresso na Arma de Engenharia, na Universidade de Coimbra, onde foi colega e grande amigo dos futuros políticos Augusto Maria Fuschini e Adriano Augusto da Silva Monteiro. A preparação aí obtida incluiria o grau de bacharel em Matemática, concluído em 1871-06-20, e a frequência das seguintes cadeiras avulsas: na Faculdade de Filosofia, 1.ª Cadeira - Química Inorgânica (1865/66), 3.ª Cadeira - Física, 1.ª Parte (1867/68), 2.ª Cadeira - Química Orgânica e 5.ª Cadeira - Física, 2.ª Parte (1869/70), 4.ª Cadeira - Botânica e 7.ª Cadeira - Mineralogia e Geologia (1870/71); e na Faculdade de Direito, Cadeira de Economia Politica (1870/71). O bacharelato deveria ser obtido como aluno ordinário e as restantes cadeiras, como aluno voluntário. Este período de formação foi frequentado com grande brilhantismo tendo sido aprovado com «Nemine Discrepante», obtido dois partidos (nos 1.º e 2.º anos) três prémios (nos 3.º e 4.º anos e na cadeira de Química Inorgânica) e quatro distinções (nas cadeiras de Física, 1.ª e 2.ª Partes, Mineralogia e 1.º ano de Desenho). A formação académica foi considerada equivalente ao 1.º Curso da Escola Politécnica, preparatório para Oficiais do Estado-Maior e de Engenharia Militar, assim como para engenheiros civis. Assentou praça, em 1871-09-11, no Regimento de Infantaria n.º 2 e foi graduado em Primeiro-sargento Aspirante-a-oficial, passando ao Batalhão de Caçadores n.º 5, durante a frequência da Escola do Exército. No final do Curso de Engenharia Militar da Escola do Exército, que concluiu em 1874, o seu rendimento escolar foi, de novo, reconhecido com a atribuição de um prémio honorífico. Foi promovido ao posto de Alferes, em 1875-01-12, sendo colocado na Direção-Geral de Engenharia, onde ascendeu aos postos de Tenente, em 1877-02-07; de Capitão, em 1877-07-27; e de Major, em 1888-11-21. Em 1875-03-12, tendo assumido o comando da 4.ª Companhia do Batalhão de Engenharia, foi destacado para um serviço eventual junto da Comissão das Fortificações de Lisboa, quando o General Marques Sá da Bandeira exercia as funções de Comandante da 1.ª Divisão Militar (Lisboa). Em 1878 integrou uma comissão nomeada para assistir às experiências de tiro a realizar em Bredelor e Meppen, para a apresentação de um relatório circunstanciado sobre as mesmas, tendo sido louvado, no ano seguinte, na Direção-geral de Engenharia pelos serviços especiais prestados no âmbito da apreciação e compra de armas do fabricante Krupp e pela forma como representou a engenharia portuguesa. Foi também responsável pela artilhamento da Fortaleza de Santa Maria de Belém, com peças daquele fabricante. Em 1880 acompanhou o Adido Militar da legação de França na sua visita a Torres Vedras e Alhandra e foi nomeado, pelo Ministério do Reino, para estudar, no estrangeiro, a desinfeção, pelo calor, de mercadorias e bagagens nos lazaretos e roupas dos hospitais. Já em 1882 integrou a Comissão encarregada de estudar e propor os meios práticos de eliminar as causas atribuídas às emanações deletérias da margem direita do Tejo e do caneiro de Alcântara, tendo sido louvado pelo zelo e inteligência com que desempenhou esse serviço. Oficial de grande prestígio na área da formação, foi nomeado, em 1879, vogal de júri para os exames especiais de habilitação do Curso de Artilharia da Escola do Exército; em 1894 e 1904, vogal suplente do júri para os exames a que deviam ser submetidos os capitães da arma de engenharia candidatos ao posto de major e, em 1895, vogal efetivo do mesmo júri. Pela sua atividade no sector da higiene sanitária foi nomeado, em 1883, para propor a readaptação no Lazareto de Alcântara, por beneficiação pelo calor, tendo feito parte duma comissão encarregada de estudar as beneficiações das malas das correspondências procedentes de portos inspecionados, sob os auspícios do Ministério do Reino, e de uma outra comissão para escolher o local e elaborar o projeto de um novo hospital. No ano seguinte, em oficio do Ministério do Reino, datado de 1884-04-15, recolhem-se notícias de uma proposta sobre a conveniência de manter o Capitão Jacinto Parreira na direção dos trabalhos do Hospital de S. José. Ainda em 1884, foi convidado pelo Presidente da Comissão Sanitária de Lisboa a receber os convenientes esclarecimentos acerca da construção de uma estufa de desinfeção a gás, de modelo belga. No posto de Major, em 1888, foi convocado para o Ministério da Fazenda para integrar uma comissão encarregada de vários trabalhos de peritagem, no campo da engenharia civil, e nomeado para constituir parte de outra comissão encarregada dos trabalhos de instalação da manutenção por conta do Estado de depósitos e parques de forragens. Nesse mesmo ano, foi nomeado secretário e tesoureiro do Conselho de Administração das Obras de Manutenção do Estado e administrador de todas as obras de defesa de Lisboa e de seu porto, integrando uma comissão especial para definição do Plano Geral de Defesa terrestre do sector Sul - Campo Entrincheirado de Lisboa. Em 1890-01-10 deixou o quadro de Engenharia, para efetuar uma comissão, sob a tutela do Ministério da Fazenda. Exonerado destas funções, passou à disponibilidade, vindo a ser colocado no Estado-Maior de Engenharia, em 1893-02-18. Após a sua promoção ao posto de Tenente-Coronel, em 1893-06-30, neste órgão, desempenhou as funções de Chefe da 2.ª Repartição do Comando Geral de Engenharia. Em 1900-06-13 atingiu o posto de Coronel, e, em 1902, foi exonerado das funções de chefe da 2.ª Repartição da Direção-geral dos Serviços de Engenharia, que exercia desde 1899-09-14, sendo nomeado, em 1900-06-30, Diretor da Manutenção Militar, cargo que ocupou até 1905-02-11. Entre 1905 e 1906 foi, então, Comandante da 1.ª Divisão Militar. Após um período de inatividade temporária, por doença, e por ter atingido o limite de idade, foi colocado no quadro de reserva, em 1907-02-07, no posto de General de Brigada, passando à situação de reforma, em 1913-02-22. Em 1908 foi nomeado árbitro, por parte do Governo Português, na «Questão dos Sanatórios da Madeira», tendo sido opositor ao Conde de Tattenbach, alemão, homem de extrema habilidade e argúcia diplomática. O protocolo foi assinado no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Como engenheiro militar, é conhecida a sua participação em cinco levantamentos topográficos dos quais resultam onze referências no Gabinete de Estudos de Arqueologia Militar de Direção de Infraestruturas do Exército. Assim, integrado em equipas de engenheiros, produziu os seguintes trabalhos topográficos: em 1879-06-27/28, a Planta da Praça de Cascais e Cidadela de Nossa Senhora da Luz; em 1895-05-09, a Planta do Forte do Junqueiro e Terras da Esplanada (Parede-Cascais) e, em 1897-12-27, a Planta do Forte de S. João da Cadaveira, que contém o projeto de demarcação das suas esplanadas. É também coautor de uma coleção de cinco documentos topográficos denominada Fortificações da Costa de Cascais (1895). Além destes, conserva-se em arquivo um trabalho topográfico de sua exclusiva responsabilidade, produzido em 1881-06-20 e denominado Luneta do Cabeço do Mouro (Serra de Monsanto-Lisboa) e Quartel do Alto do Duque. Na sua atividade como engenheiro civil, fundou o Consultório de Engenharia Civil e Arquitetura, situado na Rua dos Capelistas, n.º 99 - 2.º, Lisboa, juntamente com outros engenheiros: João Cândido de Moraes, antigo par do reino pelo Partido Progressista, e Eugénio Severim de Azevedo, deputado regenerador. Fundado aquando da grande transformação de Lisboa por Rosa Araújo, foi este Consultório responsável pelas moradias existentes na Avenida da Liberdade e Avenidas Novas, bem como pelo antigo edifício do Ministério das Obras Públicas e, posteriormente da Direção-geral da Aeronáutica Civil, na Avenida da Liberdade. Ainda na âmbito desta atividade, em 1882, foi-lhe concedida pelo Rei D. Luís, a concessão para a captação de águas, seu tratamento para águas potáveis e abastecimento a Portimão e arredores, juntamente com o Engenheiro Ângelo Sarrea Prado e Joaquim de Almeida Negrão que, para o efeito, constituíram a Empresa de Abastecimento de Águas Sárrea Prado e Comandita, numa propriedade que adquiriram para as obras necessárias a este empreendimento (o Barranco das Águas na Mexilhoeira Grande - Escritura publicada no "Diário do Governo" de 1899-06-13). Em 1877 foi aceite como sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa com o estudo "Aparelhos de Desinfeção pelo Calor", tendo-lhe sido atribuído o n.º 190. Em 1903 foi sócio fundador e 1.º Vice-presidente do Automóvel Club de Portugal. Foi coautor do livro sobre "Desinfeção pelo Calor", em parceria com o então Tenente de Engenharia António Carlos Coelho de Vasconcelos Porto - disponível na Biblioteca Nacional de Portugal e na Biblioteca do Exército - e diretor literário da edição única de um jornal comemorativo da inauguração da exploração da linha de caminho-de-ferro que ligou Lisboa a Faro, ocorrida em 1889-07-01 - preservado na Biblioteca Nacional de Portugal. Com residência na Rua do Ferragial de Baixo, n.º 3, 3.º esquerdo, em Lisboa, passou grandes temporadas em hotéis, junto de locais onde podia acompanhar de perto os trabalhos que realizava ou de que era incumbido. Sempre acreditou nos tratamentos das águas termais e, em 1894-01-31, juntamente com o Dr. Carlos Tavares, médico, professor da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e discípulo de Sousa Martins, adjudicou, à Santa Casa da Misericórdia de Cascais o arrendamento dos Banhos da Poça, em S. João do Estoril, construindo o novo edifício dos Banhos da Poça. Nos últimos anos de vida devido a uma nefrite recorreu a este tipo de tratamento, quer em Portugal quer no estrangeiro. Foi agraciado com os graus de Grande Oficial (1908), Comendador (Decreto de 1901-01-01), Oficial (1895) e Cavaleiro da Ordem Militar de S. Bento de Aviz, Comendador da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo e Oficial da Ordem Militar de S. Tiago de Mérito Científico Literário e Artístico, Comendador Ordinário da Real Ordem de Isabel La Católica e Chevalier da Ordem de Leopoldo II, Rei da Bélgica. Foi, também, condecorado com a Medalha Militar de Prata, da Classe de Comportamento Exemplar e louvado pelo seu desempenho como vogal da comissão encarregada de elaborar um projeto de organização da Padaria Militar. Faleceu, de pneumonia, no Palace Hotel do Buçaco, em 1913-08-25, pelo que ficou sepultado no cemitério do Luso, sob lápide com seu nomeHistória Custodial e Arquivística:O fundo foi depositado pela Sra. D. Maria José Borges Parreira Mendes, na sequência de contrato estabelecido com a Câmara Municipal de Cascais, através do AHMCSC, ao abrigo do Programa de Recuperação de Arquivos e Documentos de Interesse Municipal (PRADIM)Âmbito e Conteúdo:O fundo é constituído por 5 secções: Documentos e Objetos Pessoais (1865-1915); Vida Académica (1867-1874); Vida Profissional (1878-1913); Condecorações (1886-1908) e Património (1890-1912)Estatuto Legal:Documentação PrivadaFontes e Bibliografia:PARREIRA, Jacinto; PORTO, António Carlos de Vasconcelos - Aparelhos de desinfecção pelo calor: relatório apresentado ao Ministério do Reino em 19 de Agosto de 1881. Lisboa: Imprensa Nacional, 1883.PARREIRA, Jacinto, dir. - A inauguração: folha única, comemorativa do início da exploração do caminho de ferro do Algarve. Faro: [s.n.], 1889. (N.º único).S. João do Estoril e os banhos da Poça : a localidade e as termas 1838-1923. Cascais : Câmara Municipal; Santa Casa da Misericórdia, D.L. 2003. 90, [2] p. ISBN 972-637-104-X.Notas:Cota do fundo: I4. O fundo encontra-se acondicionado em 3 cx.Data(s) da(s) Descrição(ões):2015-06-01Conteúdo Digital:ImagemCódigo de Referência:PT/CMCSC-AHMCSC/APSS/GJP